De mulher a feminista: o que muda no dia 8 de março?

Li hoje que o dia é das mulheres e não das feministas. Claro que a pessoa que escreveu isso tinha opiniões bem divergentes das minhas, mas tenho que concordar que existem diferenças em viver esse dia como mulher e viver esse dia como feminista.

Que podemos ser mulheres e não necessariamente nos declararmos feministas nós já sabemos, mas o que muda no Dia Internacional da Mulher?

Primeiro, as feministas sabem que esse dia é na realidade O Dia Internacional pela Luta da Mulher, um dia para relembrar trabalhadoras mortas há mais de um século, durante o incêndio da fábrica na qual praticavam greve. É o dia de relembrar a vida e morte de milhares de mulheres que lutaram pelo direito ao voto, ao divórcio, às leis reprodutivas, ao uso de anticoncepcionais, às leis de violência doméstica e tantas outras ferramentas que tivemos que construir para proteger de alguma maneira as mulheres da sua própria sociedade (sim, incluo aqui homens e outras mulheres).

Em 1908, 15.000 mulheres marcharam em Nova York exigindo a redução de horário, melhores salários e direitos de voto.

Em 1908, 15.000 mulheres marcharam em Nova York exigindo a redução de horário, melhores salários e direitos de voto.

Segundo, as feministas geralmente passaram por um processo que une alguma situação de discriminação/assédio/estupro/violência com aprendizado/estudo/autoconhecimento que as faz terem impressões físicas e emocionais para com a luta das mulheres passadas. Por todo histórico desse dia e por terem estudado o que ele representa em termos de conquistas, receber flores e um agrado está longe de ser o presente ideal. Não porque não gostamos de presentes, mas porque sentimos que agrados não terminam com nossa situação desigual.

É preciso uma promessa de construção diferente como sociedade, paulatina, de longo prazo e efetiva, para que nos sintamos satisfeitas.

Terceiro, as feministas sabem que tendo a percepção descrita acima sobre esse dia, passar por ele significa ouvir/ler generalizações sobre nosso gênero, provocações sobre a existência de um dia para mulher e não para homem, questionamentos sobre a diferença salarial, piadas sobre nosso comportamento e ironias sobre nossas supostas ‘vantagens’ na sociedade. E ter que responder, explicar, argumentar muito calmamente para tentar evitar ainda o rótulo de ‘histérica’ e ‘irracional’.

Passar o dia 8 de março como feminista é muito mais difícil do que passar como mulher, embora mulheres (feministas ou não) sofram todo tipo de violência de gênero todos os dias.

Porque exige da nossa paciência, do nosso emocional e da nossa capacidade de diplomacia.

Ainda sim, convido as mulheres não declaradamente feministas a passarem esse dia como nós, feministas. Nos leiam, nos absorvam, nos reflitam.

O dia 8 de março nunca mais será o mesmo para vocês, mas essa é só uma das coisas que queremos mudar para sempre.


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